Com o recente aumento dos preços dos alimentos em vários países do mundo, os biocombustíveis foram mais uma vez duramente criticados. A questão é simples: estamos desviando a comida do prato para os tanques de combustíveis? Enquanto os governos alegam que a produção agrícola é capaz de suprir ambas as demandas, outros alegam, muito certamente, que a atual produção nunca foi capaz de suprir sequer a demanda já existente.
Na questão está envolvido o fator eficiência, isto é, quanto deve ser plantado para que um litro de combustível limpo seja produzido. Isto torna a crítica aplicável a alguns países apenas, como os Estados Unidos, onde a maior parte dos biocombustíveis são produzidos a partir do milho, que tem um rendimento muito pequeno.
Por outro lado, este foi justamente um dos fatores predominantes para colocar o Brasil à frente da corrida pelos biocombustíveis. Os imensos hectares de área plantada de cana de açúcar fornecem uma larga fonte de matéria-prima na geração eficiente de combustível limpo. O Presidente Lula entende isso, e diz que a culpa não é nossa.
No entando, o resto do mundo não ficou parado. Novas pesquisas surgiram, novas tecnologias foram encontradas, e estão rapidamente ganhando adoção. Uma empresa com sede na Dinamarca, a Novozymes B, em parceira com diversas universidades, está trabalhando no desenvolvimento de enzimas capazes de transformar resíduos da agricultura, como palhas e cascas de frutas, em etanol. O chamado projeto DECREASE conta inclusive com o apoio do Departamento de Energia dos Estados Unidos.
Ainda falaremos mais de outras tecnologias, envolvendo algas, hidrogênio, etc. Aguardem.
Afinal, biocombustíveis, se tratados com cuidado, serão uma baita ajuda.


