A “hora do rush” da energia elétrica

Os engarrafamentos das cidades grandes acontecem quando você tem várias pessoas tentando usar um recurso público ao mesmo tempo, superando a capacidade da via. Isso é fácil de ver na hora do rush, em qualquer cidade: o tráfego lento, a raiva, as buzinas…

Com a energia elétrica, isso não acontece. Porque? Será que é porque toda a sociedade é capaz de se organizar para acessar o mesmo recurso em um horário diferente, evitando assim, os picos? Não, não essa nossa sociedade.

Acontece que, no Brasil, temos a maior parte da energia gerada em hidroelétricas (o que é bom). No entanto, precisamos manter várias usinas (em sua maioria, termoelétricas) em posição, para suportar os momentos em que várias pessoas precisam de energia. Imagine que, se fosse uma estrada, ela se alargasse toda vez que alguém precisasse passar, para evitar que aparecessem engarrafamentos. É mais ou menos assim.

Esses momentos de pico são fáceis de identificar. Às 19:00, quando todo mundo volta pra casa, depois do trabalho, e decide tomar aquele banho quente, “para relaxar”. Ou quando o juiz apita o fim do primeiro tempo no futebol, e todo mundo vai abrir a geladeira para pegar uma cervejinha.

A PROCEL, através da Pesquisa de Posse e Hábitos de Consumo de Energia, consegue gerar uma curva de carga mostrando o comportamento médio do consumo de energia das residências brasileiras. Repare no pico das 19h, causado principalmente pelos chuveiros elétricos.

SINPHA - PROCEL

Esses são momentos críticos para os fornecedores de energia do país. É hora de usar aquele potencial de energia que as termoelétricas têm, para que o sistema não entre em colapso.

Embora seja legal o fato de que a “estrada” da energia elétrica se alarga para suportar todo mundo que queira passar, é fácil de ver que isso tem um custo. Aliás, vários:

  • Criação e construção das usinas.
  • Manutenção das usinas.
  • Emissões de gases poluentes devido aos combustíveis utilizados nessas usinas.

Isso vai parar não só no seu bolso, caro contribuinte, como também no seu pulmão.

Se você acompanhou bem meu raciocínio, deve ter imaginado que “se o papel das termoelétrica é ‘alargar’ a ‘estrada’ da energia, eu posso evitar a utilização delas simplesmente trafegando por esta ‘estrada’ num momento em que ela esteja menos obstruída”.

Perfeito raciocínio! Ficam aqui dois conselhos: primeiro, economize. Se puder evitar o banho quente, evite. Se puder evitar abrir a geladeira evite; segundo: se não puder evitar o gasto, gaste em uma hora em que não estejam todos também gastando. Mantenha aquele gráfico sempre em mente.

Evitar picos de energia é dar uma baita ajuda. Para todo mundo.

2 Comentários »

  1. Tarja Verde disse

    [...] mesma forma que acontece com a energia elétrica, podemos facilmente nos iludir e crer que a água é um [...]

  2. [...] mesma forma que acontece com a energia elétrica, podemos facilmente nos iludir e crer que a água é um [...]

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