O assistencialismo é sustentável?

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Uma matéria do NYTimes me trouxe de volta à mente uma questão que têm me pertubado há algum tempo. A história é sobre o Egito, e, resumindo, dá-se mais ou menos assim: nos idos da 2ª Guerra Mundial, o governo egípcio começou a subsidiar bens como o pão, o açúcar e o chá. Uns 30 anos depois, quando eles tentaram acabar com a festa, o povo reclamou, protestou, e a coisa ficou por isso mesmo. Hoje continua do mesmo jeito, só um pouco pior. Os anos de subsídios, e um esquema pouco vigiado abriu espaço para uma nova máfia, e um baita comércio de subornos. Coisas do terceiro mundo…

Aqui no Brasil, nosso excelentíssimo presidente (o da República, não o do blog) começou o seu projeto assistencialista há alguns anos – o seu tão querido Bolsa-Família. Eu não quero entrar no mérito do programa, se ele é necessário, ou se, somando todos os seus prós e contras, ele é bom. Vou me limitar a dar um exemplo, de algo que eu vi, que para mim se tornará um imenso problema em anos futuros.

Os leitores do tarjaverde que leram o livro Freakonomics devem se lembrar de uma seção em que ele apresenta dados que sugerem que a lei de descriminalização do aborto teve um impacto muito grande, nos anos subsequentes, sob os índices de criminalidade dos Estados Unidos. A lógica, acima dos dados, é infalível: as mães mais pobres, que não têm acesso ao chamado planejamento familiar, quando engravidam e vêem que não poderão sustentar o próximo filho, podem recorrer ao aborto como última e drástica solução.

Por outro lado, quando este recurso não está disponível, o filho nasce em um ambiente onde ele não terá acesso a serviços básicos com a qualidade necessária. A educação, tão importante em direcionar o ser humano para uma vida digna, ele dificilmente alcançará. Dessa forma, com o passar dos anos, sem educação e sem emprego, muitos destes jovens não abortados recorrem à criminalidade.

Pausa por aqui. Compare com essa outra situação.

Eu costumava visitar muito uma cidadezinha no sertão da Paraíba chamada Catingueira. Porém antes desse último Natal, eu não ia lá há mais de dois anos. Muita coisa tinha mudado, lógico. Principalmente a quantidade de casas, que agora se amontoam nas bordas da cidade, onde vivem famílias com pouco acesso a saneamento básico e água encanada, principalmente.

Uma das justificativas para esse fato eu pude ouvir de vários dos habitantes mais velhos da cidade. Como o Bolsa-Família paga uma bolsa pela quantidade de filhos que existem na família, a população se dana a fazer mais e mais filhos, achando que isso representa apenas mais dinheiro entrando – sem pensar que o dinheiro também vai ter que sair para alimentar e educar aquele filho.

E assim, famílias de baixíssima renda crescem cada vez mais. E o que vai ser desses filhos, quando crescerem?

Espero que os autores do Freakonomics estejam errados. E espero que assistencialismo gratuito, sem planejamento e sem desenvolvimento econômico, acabe logo. Ia ser uma baita ajuda.

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