Arquivo para Novembro, 2007

Como Raul já dizia…

Buliram muito com o planeta.
O planeta como um cachorro eu vejo.
Se ele já não agüenta mais as pulgas
se livra delas num sacolejo.

Das aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor.

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Agregar na cadeia de Valor

Quinta-feira passada (15/11/2007) tive a oportunidade de assitir a uma palestra de um grande amigo do Rio de Janeiro:  o Lysias Itapicuru.

Durante aproximadamente duas horas foi feita uma viagem através do tripé que rege o desenvolvimento sustentável. Instigando nossas mentes sempre com propostas que mudem o paradigma de relacionamento entre as pessoas e entre as pessoas e as instituições.

Vários questionamentos foram lançados e alguns deles gostaria de compartilhar com  os nossos leitores. Existe alguma diferença entre ação social e sustentabilidade? Como captar essa diferença? Será que o modelo de empreededorismo aplicado hoje no Brasil é sustentável?

Que tal começarmos pelo sistema bancário. Um exemplo que não permite as pessoas levarem à frente seus sonhos de empreender. Os bancos (na sua maioria) não se preocupam em compartilhar o risco. Juros e garantias acabam como a maioria dos empreendimentos de pequeno porte. Então … como formar uma rede de empreendedores?

É preciso que as empresas se preocupem em agregar na cadeia de valor! Não adianta apenas ajudar as pessoas ou o meio ambiente mas observar se a ação (social ou não) gera uma reação que permita o desenvovimento dos envolvidos dentro da sociedade. Querem um exemplo … lembram de Yuri?

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A economia na base da pirâmide

Quatro bilhões de pessoas. É um número muito grande. Quase dois terços da população mundial. E, infelizmente, esse número representa a quantidade de pessoas no mundo que vive na chamada “base da pirâmide”, onde se vive com uma renda inferior a USD$3000 anuais, o que equivale a pouco menos que R$500 mensais.

Esse imenso contingente não tem acesso a certos “confortos” de que dispõem as classes médias e altas no mundo – mesmo se você acha que saúde, água e educação são confortos. A razão que atribuímos a isso é a mais simples possível: falta de dinheiro.

Eu também costumava aceitar esta explicação fácil, até que encontrei o relatório The Next 4 Billion: Market size and business strategy at the base of the pyramid [pdf, 10mb] desenvolvido pela NextBillion.net. Assim como no Acumen Fund [link à direita], eles procuram incentivar o chamado empreendedorismo social, que é, basicamente, de acordo com a wikipedia, “organizar, criar, e gerenciar uma organização que cause mudanças sociais“. O empreendedor social mede primeiramente o impacto de sua organização na sociedade, e enfrenta o desafio de buscar modelos de negócio que possam propiciar lucros e retorno no investimento. Que tem tudo a ver com a base da pirâmide.

A idéia geral do relatório é que pouco dinheiro não quer dizer nenhum dinheiro. A exclusão desse pessoal dos mercados básicos se deve em grande parte à falta de estratégias por parte do setor privado para atingir este público em especial, e estima-se que a reversão deste quadro possa gerar novos mercados de até 5 trilhões de dólares! Só para mexer ainda mais com o leitor, ele mostra análises detalhadas [cheias de números, e gráficos fantásticos] do mercado em vários setores, e dá detalhes dos padrões de gasto, ressaltando correlações, inconsistências e pontos a serem explorados.

E explorar isso é gerar inclusão. E é uma baita ajuda.

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De volta ao lixo eletrônico… II

No embalo do post anterior, saiu na Revista Sustentabilidade uma matéria sobre um dos projetos vencedores do Prêmio Professor Samuel Benchimol, que incentiva a pesquisa em tecnologias sustentáveis para o desenvolvimento da Amazônia.

O projeto do engenheiro João Tito Borges visa a criação de uma empresa para reciclar e reutilizar computadores, garantindo o envio dos equipamentos recondicionados para comunidades locais que não dispõem de acesso a informática. Benefícios: menos lixo não tratado, e inclusão digital para quem precisa.

Como de costume, necessita-se financiamento. Borges irá dividir o prêmio de R$ 65.000,00 com mais outros 2 projetos vencedores na categoria, e espera arrecadar até R$20.000,00 nos 6 primeiros meses. O custo previsto do projeto é de R$138.000,0.

No final, vai ser uma baita ajuda.

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De volta ao lixo eletrônico…

Olhe bem para este monitor no qual você está lendo este blog. Quanto tempo de vida você acha que ele ainda tem? E ao final desse tempo, o que você pretende fazer com ele?

Pensou?

Se você pensou em doar ele para alguém que precise, parabéns. Precisamos de mais gente como você no mundo.

Acontece que muito, por não saberem responder essa pergunta (assim como no caso de pilhas), simplesmente os deixam ir para o lixo comum. Há mais perguntas que eles (elas também) não sabem responder, como por exemplo ‘para onde vai esse monitor que eu deixei jogado no lixo?’

Não acho que isso aconteça no Brasil, mas no países de primeiro mundo, na maioria dos casos esse lixo vai parar na África, alimentando um mercado negro de sucata eletrônica. E os restos deste mercado estão indo para lixões, que ficam perto de favelas, e que crianças e adultos reviram diariamente em busca de comida. Desta forma, eles se expõem a um alto risco de contaminação por parte dos metais pesados que fazem parte do computador, como chumbo, mercúrio, arsênico e cádmio.

Uma situação semelhante na China deu origem a um relatório científico que trouxe este fato à tona, alertando também para situações semelhantes em outras partes do mundo.

Evite todos estes problemas, e torne seu computador velho em algo útil para alguém. A ONG Pensamento Digital tem uma rede nacional de coleta de doações em todo o Brasil. Para se desfazer de monitores, mouses, cabos, CPUs, etc. preencha o formulário do doador, e deixe que eles dêem um jeito de fazer a sua doação virar um projeto de inclusão digital em algum rincão distante do Brasil.

Não é o bastante, mas é uma baita ajuda.

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Arroz de Graça

No dia 7 de Outubro deste ano, ONG Poverty.com iniciou uma campanha chamada de FreeRice, que tem um apelo especial para pessoas [como meu co-blogger, o presidente] que estão querendo se aprofundar mais no inglês. Extremamente viciante, e com resultados astronômicos [mais de 1bi de grãos de arroz doados no 1º mês, e em crescimento exponencial]. Vá lá e veja por você mesmo a razão do sucesso.

Funciona em moldes semelhantes ao clickarvore, que a gente já mencionou por aqui. Vale a pena conferir também.

ps: Um outro ponto de vista é sempre bemvindo. O economista queniano James Shikwati, em entrevista ao Spiegel Online [não tão recente - há mais de 2 anos], implorou que as nações industrializadas parassem com essas doações. Ele tem suas razões, e vale a pena conferi-las aqui e aqui.

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Velhos hábitos perdidos

Não que eu seja um cara velho, mas já vivi o suficiente para ver e perceber algumas mudanças ocorrendo na vida das pessoas ao meu redor. E perceber isso sempre foi um hobby meu, praticado já há alguns anos.

Dessa forma, quando mais novo, sempre tive contato com várias pessoas que mantinham alguns hábitos ecologicamente corretos. E não se tratava de ecologicamente correto ‘à la século XXI’, onde ser ecologicamente correto significa instalar painéis solares em casa, andar com carro elétrico e ser vegetariano. Eram pessoas que cuidavam dos jardins de suas casas, davam bom dia às pessoas nos ônibus, e iam de bicicleta para o trabalho. Crianças faziam seus brinquedos usando materiais simples – materiais que hoje são considerados lixo porque as crianças não saem da frente de seus playstations.

Talvez o apelo midiático em torno do aquecimento global nos faz esquecer que o meio ambiente é feito de vida. E esta tem sido cada vez menos valorizada, infelizmente, por causa das paranóias características deste século. Desperdiçamos repetidamente as inúmeras oportunidades que temos de apreciá-la, e hoje somos capazes de não ver esse milagre por mais que ele se jogue na nossa frente.

No meu apartamento, tenho alguns jarros de plantas. Umas eu nem sei o nome. Mas o exercício de cuidar destas plantas abriu gradualmente meus olhos para o complexo sistema da vida, e hoje eu percebo que isso me rendeu um maior respeito pela natureza. Não me tornei um expert em botânica, mas rapidamente me apaixonei por ela.

Por tudo isso, eu me conscientizei que o aquecimento global não é um problema a ser resolvido por engenheiros e cientistas. A busca por formas de diminuir o impacto desta complexa sociedade não irá resistir por muito tempo, nem trazer tantos benefícios quanto o retorno da simplicidade e da consciência ambiental. É uma briga que começa dentro de nós.

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